Em defesa do amanhã

out 20, 2015 / 0 comments

As crianças são o futuro. Delas depende o nosso amanhã. O bebê que hoje a mãe amamenta e a menina que embala sua boneca podem ser transformados pelo destino em grandes propagadores da paz. A diferença se constrói com algumas palavras: educação, saúde, profissionalização, cultura, lazer, alimentação, liberdade, respeito e direito à vida. Neste contexto, acreditando que é possível construir um país melhor, o Estatuto da Criança e do Adolescente que foi criado para garantir a democratização e resgate da dignidade e dos direitos humanos, completou em julho 25 anos, trabalhando pelo reconhecimento dos direitos e a acolhida pelo Estado e pela sociedade dos pequenos cidadãos.
Na defesa destas diretrizes o Conselho Tutelar de Guaíba atua junto à comunidade, desempenhando suas atribuições no atendimento a crianças e adolescentes, fazendo cumprir as medidas de proteção onde os direitos reconhecidos por Lei estiverem ameaçados ou violados. Cabe também ao órgão determinar o cumprimento de medidas previstas no ECA, encaminhando os menores aos pais mediante termo de responsabilidade, orientação, apoio e acompanhamentos temporários, matrícula e frequência obrigatória em escolas de ensino fundamental, inclusão em programas comunitários, requisição de tratamentos médicos e psicológicos, bem como de tratamento e orientação a alcoólatras e toxicômanos.
Antônio Carlos Pereira Machado, presidente do conselho no município, afirma que muitos pais usam os conselheiros como “bichos papões”, para ameaçar seus filhos, quando na verdade o papel destes profissionais é corrigir e não punir.

Dificuldades encontradas

De acordo com o presidente uma das maiores dificuldades encontradas hoje é combater a violência entre os jovens: “Faltam políticas públicas para acabar com a ociosidade da gurizada, que se deixam aliciar pelos bondes, transformando as ‘brigas de guri’ em disputas de território”. Em Guaíba há o registro de atuação de cinco grupos que inserem os adolescentes ao mundo das drogas e armamentos o que resulta em altos índices de violência.
Para alertar crianças e adolescentes sobre os riscos de envolvimento com estes movimentos, o Conselho tem realizado palestras em escolas, mostrando que há outros caminhos a seguir. A participação em atividades culturais e esportivas segundo o conselheiro é uma das formas de apresentar alternativas para as crianças, possibilitando que referências externas contribuam para a sua formação.
“Um dos nossos grandes desafios é chamar os pais a cumprirem seus papéis, assumindo a responsabilidade sobre seus filhos e não delegando esta tarefa aos conselheiros e professores dos menores”, salienta Antônio.
O representante do Conselho também chama a atenção para comércios que não cumprem a Lei e vendem bebidas alcoólicas para os jovens, pensando apenas no lucro e não nos prejuízos que podem causar na vida destes menores, uma vez que a bebida, de acordo com pesquisas, abre portas para a drogatização.

Educação em ação

Em Guaíba as escolas vêm buscando firmar parcerias com os pais, para garantir a permanência das crianças e adolescentes na escola e a efetividade do ensino, aplicada dentro do contexto familiar.
“Os professores buscam no seu dia a dia, trazerem conteúdos atraentes para a sala de aula, como produção de vídeos, teatro. E ao contrário do que muitos pais pensam não são eles que auxiliam as escolas, e sim as instituições que colaboram com as famílias”, afirma a coordenadora regional de educação, Débora Luz da Rocha.
De acordo a pedagoga hoje o dialogo entre genitores e menores é totalmente diferente do que há alguns anos atrás: “Antes o pai dizia ‘senta ai’ e agora a questão é ‘onde você quer sentar’?”.
Sobre a atuação dos bondes no município, Débora afirma ser um problema que está fora da escola, uma vez que seus membros, em sua grande maioria, não frequentam nenhuma instituição de ensino estadual: “Os alunos de ensino médio neste momento estão preocupados com o Enem. Preocupados com algo maior, por ser um trabalho bem direcionado. Focado no mercado de trabalho. Fazendo com que o jovem descubra que o mundo dele não está naquilo ali e sim mais além”.

Violência

A secretária de assistência social de Guaíba, Luciana Beatriz Kubiak, comenta que um dos dados mais alarmantes de 2015 é o número de mortos no município: “Até agora são 35 casos registrados, entre eles, nove vitimas são menores de idade. Um número alarmante que coloca a cidade no ranking das 14 mais violentas do Estado”.
A prevenção é deficitária, por isto segundo a secretária, Guaíba possui um índice grande de crimes, cuja maioria tem por motivação o uso de drogas.
Fazer valer os direitos das crianças e adolescentes é um papel da sociedade, mas guia-las ao caminho do bem é o dever primordial dos pais.

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